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Casal Mistério

Casal Mistério

bem-vindo ao paraíso dos ovos para o brunch

14.06.18

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Para começo de conversa vou dizer-lhe só um número: oito. São oito os diferentes tipos de ovos à escolha para o seu pequeno-almoço. Quer ovos florentine? Tem. Quer ovos benedict? Tranquilo. Prefere ovos royale? Também há. O que gostava mesmo era de ovos rothko? Não, não me engasguei, é mesmo outro tipo de ovos que encontra no Dear Breakfast, em Lisboa.

Mas há mais boas notícias. Tudo isto está disponível diariamente entre as 9h da manhã e as 16h. Por isso, se lhe apetecer um brunch a uma quarta-feira, às três da tarde, depois de uma noite louca em que conseguiu sobreviver aos seguranças do Urban, este é o sítio ideal. O único constrangimento pode ser mesmo arranjar mesa porque costuma estar cheio.

 

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O ambiente

Nós marcámos mesa antes de sair de casa – como somos uma família numerosa, cada vez arriscamos menos em aventuras. Quando chegámos, tínhamos à nossa espera uma mesa nas catacumbas do espaço, o que é uma pena porque o andar de cima do Dear Breakfast é uma maravilha: paredes brancas, arcos em pedra, cadeiras minimalistas, mesas de mármore... tudo aqui é um bom pretexto para tirar o telemóvel do bolso e espalhar inveja pelo Instagram.

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O andar de baixo também tem uma decoração elegante, mas não tem janelas – e isso é uma pena. No fundo, trata-se de uma única mesa grande que está disponível para ser reservada por grupos (ou famílias numerosas como a Família Mistério). No andar de cima, não aceitam reservas.

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Entre uma mesa disponível na cave e 20 minutos de espera por um lugar perto de uma janela, optámos pela janela. E não nos arrependemos. Se for em modo casal romântico, pode até ficar numa das mesas altas que existem mesmo em cima da janela e que transpiram romance por todos os poros.

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Os ovos

Sentados e aconchegados, começámos a pedir. Eu optei por uns deliciosos ovos florentine (€7) que vieram muitíssimo bem cozinhados, com a gema bem líquida e a clara consistente, e servidos por cima de uma cama de espinafres. No topo, levavam um suave molho holandês e uns delicadíssimos croutons quase desfeitos num pó crocante. A acompanhar, vinham duas torradas de pão escuro. Por mim, seria capaz de comer isto todos os dias da semana.

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A minha querida e prezada Mulher Mistério preferiu os tradicionais ovos benedict (€9), também muitíssimo bem cozinhados e servidos por cima de uma fatia de brioche com sementes que estava bem fofinha (nada a ver com a bumba...) e que contrastava lindamente com as fatias de bacon crocante. Para terminar, os ovos levavam por cima o mesmo e suave molho holandês dos meus florentine.

O meu Mini-Misterioso mais velho, que já vai lançadíssimo a caminhar para Maxi-Misterioso, pediu os ovos royale (€9) que são iguazinhos aos benedict só que, em vez das fantásticas fatias de bacon crocante, levavam umas fatias de salmão fumado que estavam ligeiramente mais pálidas e menos saborosas do que eu gostaria.

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O segundo da dinastia Mini-Mistério foi o grande azarado da noite. Resolveu arriscar nuns imprevisíveis ovos rothko (€9) que são claramente mais difíceis de fazer. Trata-se de uma receita clássica – um ovo cozinhado dentro de uma torrada – que terá recebido este nome, num famoso restaurante de Brooklyn, nos Estados Unidos, onde o chef quis homenagear o pintor expressionista abstracto Mark Rothko por alegadamente se tratar do seu pequeno-almoço preferido.

O pão usado é uma fatia de brioche, no centro da qual se faz um buraco para colocar um ovo. Por cima, leva muito queijo. Enquanto o pão torra, o ovo cozinha e o queijo derrete. A combinação é maravilhosa quando resulta numa torrada crocante misturada com um ovo com a gema cremosa e a clara consistente, e uma cobertura de quejo derretido a pingar. O difícil é acertar no tempo e na temperatura exactas que resultam nesta combinação maravilhosa. E, neste caso, isso falhou: o pão estava torrado, mas a gema estava dura e o queijo enrijecido.

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Foi pena, porque a experiência melhorou bastante com os ovos mexidos (€6) do meu Filho Mistério com aspirações a chef. Estavam bem molhadinhos e cremosos e vinham com umas deliciosas lascas de trufa (mais €3) que os promoveram ao pódio do brunch. 

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A experiência acabou com uma inevitável tosta de abacate (€6) servida com uma fatia grande de pão torrado, que podia estar ligeiramente mais crocante do que estava, barrada com uma cremosa mousse de abacate coberta com coentros, cebola, piri-píri e um ovo escalfado feito no ponto. Para terminar, era salpicada com sementes.

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Se não quiser nada disto, tem outras maravilhas: por exemplo, uma taça de quinoa e abacate, uma salada com queijo azul ou até simples tostas com aquele que, para mim, é o melhor pão do momento em Lisboa: o fabuloso pão da padaria Gleba. Isto, claro, para não falar de algo absolutamente necessário na nossa vida matinal...

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...As panquecas

Brunch sem panquecas é como Ronaldo sem gel no cabelo – inaceitável! E por isso, entre a fome voraz dos Filhos Mistério e a dieta falhada da Mulher Mistério, decidimos avançar. Só com três doses de panquecas (€7 cada) a dividir pelos seis, mas avançámos. Servidas com morangos, framboesas, amoras e mirtilos, levavam ainda um bom creme de chocolate derretido. A massa estava alta, leve e fofinha. Não foram as melhores panquecas do mundo, mas souberam-me lindamente.

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As bebidas

Para acompanhar tudo isto, pedimos um bom sumo de laranja natural (€3), um óptimo Tasty Detox (€4), com maçã, cenoura, beterraba e gengibre, um bom chá gelado (€3) e, claro, duas Mimosas (€6,50 cada) que uma refeição destas exige um cocktail à altura – e, de preferência, com muito espumante!

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O serviço

Se quiser marcar mesa, normalmente dão-lhe a mesa da cave. De resto, é por ordem de chegada: uma tendência que se está perigosamente a alastrar a todos os restaurantes com brunch em Lisboa e que é um sério problema para senhores de idade com uma profunda alergia a longas esperas em pé, como é o meu caso.

Como nós fomos já depois das 15h, não esperámos muito tempo, mas se for entre as 12h e as 14h prepare-se para o choque. De resto, fora de horas, a coisa funcionou bem e, em menos de meia hora, comemos o nosso brunch. O serviço foi educado e simpático. Se não fosse o detalhe de ter sido um brunch à hora do lanche, tudo tinha sido perfeito. 

 

Um óptimo brunch para si onde quer que os ovos estejam,

Ele

 

fotos: dear breakfast; casal mistério

 

Nota: Todas as despesas das visitas efetuadas pelo Casal Mistério a restaurantes, bares e hotéis são 100% suportadas pelo próprio Casal Mistério. Só assim é possível fazer uma crítica absolutamente isenta e imparcial. 
_____________________________

Dear Breakfast
Rua Gaivotas, 17 Lisboa
Aberto de segunda a sexta, das 9h às 16h 
Sábados e domingos, das 9h às 17h
T: 912 281 082

 

2 comentários

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    casalmisterio

    07.05.19

    Boa tarde,

    Antes de mais, muito obrigado pela sua questão. De facto, não temos uma, temos várias fotografias que não são nossas. Por isso é que, no final do texto, as fotos estão assinadas como pertencendo ao Dear Breakfast e ao Casal Mistério – e não apenas a nós.
    Se acompanhar o nosso blog, sabe seguramente que é assim que fazemos desde o primeiro dia. E por uma razão muito simples: como as nossas visitas são feitas de forma anónima, não podemos montar iluminação nem todas as condições necessárias para tirar as fotografias com a qualidade desejada. Temos de as tirar discretamente, com os nossos telemóveis, sem que os responsáveis pelos espaços percebam que está ali o Casal Mistério. Fazemos isso para que, sabendo que publicaremos um texto sobre o serviço e a comida, os empregados, os cozinheiros e os gerentes não nos possam tratar de forma diferenciada daquela que tratam os clientes habituais, que não escrevem textos sobre a sua experiência.
    Nós compreendemos que nem sempre é fácil perceber nem aceitar esta nossa forma de trabalhar – até porque a esmagadora maioria dos bloggers e dos críticos de restaurantes faz-se anunciar aos responsáveis e, por vezes, até aceita descontos e ofertas de refeições. Mas é esta política que temos seguido desde o primeiro dia. E que continuaremos a seguir religiosamente.
    Sempre retirámos algumas fotos do espaço ou dos pratos que comemos dos sites ou das páginas de Facebook dos restaurantes. Fazemos isso quando não foi possível tirar as nossas fotografias sem levantar suspeitas. E sempre sem contactar os responsáveis para que não possamos ser identificados.
    A polémica que surgiu com este post deve-se simplesmente ao facto de uma das fotos que estava na página de Facebook do Dear Breakfast não estar identificada como sendo da autoria de uma blogger. E por isso publicámo-la como sendo do Dear Breakfast. Mal fomos contactados por ela, retirámos evidentemente a foto do artigo e pedimos desculpa pelo lapso, apesar de ter sido difícil para nós adivinhar que a imagem tinha um autor diferente quando estava publicada na página do restaurante como se fosse uma imagem deles.
    Não se trata portanto de a imagem “não ser verdadeira”, mas apenas de ter o crédito de autoria errado. Quanto ao resto do post (e do blog) é também sempre verdadeiro. Com fotos de autores sempre devidamente identificados.
    Obrigado,
    Casal Mistério
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